Jeli

O caminho tortuoso continua envolto nos mistérios desse mundo. O que iremos encontrar ao virar a esquina?
Abismos - Capítulo 3 - Jeli
Amin e menina seguem pelo caminho contentes, acompanhados pelo pássaro. No topo de uma pedra em algum lugar uma figura começa a dedilhar uma música numa Kora.
A jeli dedilha uma melodia cheia e complexa. Ela faz uma pausa, concentrada. Ela começa a cantar: "Cuidado, cuidado, atenção!/ No caminho, olho no chão."
Uma tartaruga gigante segue por um caminho mais acima no desfiladeiro, é a montaria do Livreiro, carregando seus livros. O Livreiro está abrindo um grande livro laranja para ler. O texto diz:"Yui é o devorador. A vida, a luz, a terra, as rochas, tudo é puxado por Yui. As próprias gês são dobbradas e contorcidas, e as rê-zavay fluem direto, desaparecendo na escuridão de Yui".
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*Yui é aquele que habita (e também é) o profundo e escuro abismo. Gês são literamente "aquelas que se inclinam", encostas e penhascos que margeiam o abismo. Rê-zavay: as águas ("rê" também pode ser as lágrimas) dos Zavay, os cursos de água.

Amin e a menina chegam num espelho d'água com uma cachoeira. Amin está explorando o espellho enquanto a menina observa. No canto do espelho a água escorre por outra queda. A Jeli continua cantando: "A pedra se move, a terra se agita./ Lá do fundo, é Yui quem grita!". A queda dágua desaparece no escuro do abismo.
Amin e a menina estão na água, Amin com o bastão cutucando o fundo, a menina enchendo um cantil, o pássaro ao fundo voando na direção deles. A música no fundo: "Tudo chama, O Mundo reclama". Um vento sopra forte surpreendendo eles. A música continua: "Seu sopro apaga de nós a chama."
A menina mostra a amin um bom local para montarem as barracas enquanto o Sol se põe no horizonte. A menina monta a barraca com dificuldade no vento, enquanto Amin junta gravetos. A noite já cai, e os dois estão ao lado da fogueira, a menina colocando alguma comida no graveto de Amin.
Está escuro, uma luminária é usada para continuar a leitura do livro: "Quem sustenta o mundo para que não caia em completa escuridão são os Ivay. A grande Vay, mãe dos Zuvay, espíritos invisíveis, carregadores das sementes da vida". A lua cheia clareia a noite enquanto o Livreiro lê dentro da barraca. Os ventos carregam sementes de dentes-de-leão.
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*Vay: manto do céu, firmamento. Ivay: literalmente aqueles que propriamente estão em Vay, as luzes do céu. Zuvay: sopros que vêm de Vay, ventos.

Amin e a menina assando e comendo espetos na fogueira. O texto do livreiro continua: "... das nuvens, largas e preguiçosas," - O espeto de Amin pega fogo, a menina ri - "... que quando decidem morrer, já grandes e escurecidas," - Uma gota grande apaga o fogo do espeto. A menina observa mais gotas da chuva que começa.- "... e o Sol, irmão mais velho dos Zavay" Ilustração do Sol no livro. Rosto do Livreiro terminando a leitura: "...que combate as trevas de Yui."
Amin e menina estão abrigados da chuva na barraca, enquanto escurece. A chuva vai parando e o céu vai limpando. A lua cheia aparece e a menina fica contemplando.
A lua cheia brilha. Pela noite, a Jeli canta, expressiva: "Cuidado, cuidado, olhe bem... / Escute os conselhos do além. / São os vilhos de Vay, brisas sábias: / A luz é amiga / A encosta é traiçoeira / Quem não cuida onde pisa.."
Jeli continua a cantar sob o luar: "Yui não perdoa, nem avisa!". A menina observa a Lua com um sorriso esperançoso. Amin dorme.
O Sol nasce no horizonte. Amin enrola a barraca enquanto a menina guarda os utensilios. Ao fundo as cinzas da fogueira. O Livreiro cumprimenta sua tartaruga gigante com um afago, e já no caminho, volta a ler o livro: "As terras altas são onde os Zavay repousam..."
Fragmento do livro com uma ilustração de uma floresta, algum animal atrás das árvores, e atrás da floresta um local brilhante: "São proibidas para os Zagê. Para proteger a fronteira, foram colocadas as grandes florestas." Uma floresta com um rio cortando seu meio... Um panorama da borda da floresta, um rio serpenteando dela banhando as colinas abaixo. "... que choram os rios sobre as terras baixas, abençoando os Zagê."
Num cenário idílico, se observa uma floresta na esquerda. Conforme o declive segue, as árvore dão lugara a colinas com algumas casas e plantações, e um rio atravessa pelo meio em curvas. No fim do declive uma cidade alta desponta, com torres com grandes esferas no topo. A Jeli continua sua canção: "Cuidado, cidado... seja sábio. Beba das águas do outro lado."
Um barranco rochoso, uma escadaria escavada na pedra. A menina e Amin estão cruzando um riacho e seguindo para os degraus. No topo, a cidade iluminada pelo Sol de fim de tarde, sem vida. A Jeli canta: "... clareiam a mente para enfrentar o caminho. Contemple a luz dos Zavay."
Os dois sobem a escadaria, chegando num pótico misterioso. Estão intrigados e apreensivos, a cidade está meio castigada, e vazia, mas seguem pelos corredores. A música da Jeli continua: "Que ela ilumine as encostas para sempre. Mas cuidado... Cuidado..."
Numa paisagem bem diferente, o Livreio segue um caminho mais plano, em declive suave pelos campos. Olha para trás apreensivo. A Jeli canta bastante dramática: "Cuidado... Cuidado..."
A menina chega na esquina de um corredor dentro de um prédio semi-aberto, procurando algo. Quando dobra para olhar o corredor seguinte, seu rosto revela um grande susto! Um grande estouro se ouve - "BAAAAM". De fora do prédio, o pássaro observa os pedaços de pedra e tijolo sendo arremessados e uma nuvem de poeira.
A "Canção do Caminho" interpretada pela Jeli ao som da Kora é uma m[usica muito conhecida entre os que viajam pelas encostas. O Livreiro meditou sobre um trecho bem conhecido do Livro Laranja. Ele rencemente obteve uma cópia muito antiga e pesada dele."... Continua... FIM DO CAPÍTULO
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Jeli cantando
Authors
Franz Vanderlinde
2017-06-17T14:44:47
Chapter number
3